
Por: Maria Amâncio, Orlando Menezes, Juliane Freitas e Rejane Oliveira
Evento interdisciplinar reuniu cerca de 1,1 mil estudantes para debater acolhimento e prevenção ao suicídio no ambiente acadêmico
Em um convite à empatia e ao cuidado com a saúde mental, os cursos de Psicologia, Serviço Social e Jornalismo do Centro Universitário Fametro promoveram, nesta sexta-feira (26/09), a palestra “Valorize a vida. Acolha. Escute. Seja luz”. Realizado no Auditório Wellington Lins, na unidade I, o encontro em alusão ao Setembro Amarelo buscou transformar a escuta sensível em refúgio e reuniu aproximadamente 1.113 estudantes de diversas áreas e unidades da instituição.
Com uma abordagem interdisciplinar, o evento foi conduzido pela acadêmica de Psicologia, Rafaela França, e mobilizou alunos de diversas graduações, como Direito, Educação Física, Farmácia e Enfermagem.
A programação trouxe debates profundos sobre o tema, iniciando a palestra com a psicóloga Luziane Vitoriano da Costa, com o tema “Suicídio: O Silêncio das Masculinidades”, enquanto o professor João Lucas da Silva Ramos, presidente do Conselho Regional de Psicologia, deu andamento a ação e abordou a atuação e o cuidado do Conselho voltados à saúde mental.
Para o coordenador de Psicologia, Wenderson Oliveira, a atividade representou uma oportunidade de reunir diferentes áreas da instituição em torno de uma questão que ultrapassa os limites de uma única profissão.
Segundo ele, a iniciativa foi construída de forma conjunta pelas coordenações e teve como principal objetivo ampliar a discussão sobre saúde mental entre os estudantes.
Ainda de acordo com coordenador, a participação de acadêmicos de diferentes graduações reforça a importância de levar o debate para além dos cursos diretamente relacionados à saúde mental.
Para ele, discutir “o tema dentro da instituição também contribui para a formação de futuros profissionais preparados para lidar com questões relacionadas à saúde mental”.
“A maior preocupação hoje é disseminar essa mensagem voltada à saúde mental, que é um foco hoje na sociedade. E a gente precisa fazer essa tratativa, tendo em vista que aqui a gente está em formação de futuros profissionais”, concluiu o coordenador.
Palestras
A programação teve início com a palestra “Suicídio: O Silêncio das Masculinidades”, ministrada pela psicóloga Luziane Vitoriano da Costa. A discussão abordou a relação entre os padrões de masculinidade e o sofrimento emocional, destacando como a dificuldade de expressar vulnerabilidades podem contribuir para o adoecimento silencioso e dificultar a busca por ajuda.
Durante a apresentação, também foram discutidas as barreiras enfrentadas por homens no acesso aos serviços de saúde e a necessidade de ampliar as estratégias de acolhimento.
Entre os caminhos apresentados estão a desconstrução da ideia de uma masculinidade única, a valorização do direito ao afeto e à expressão da fragilidade, além da criação de espaços seguros de escuta e fala.
Na sequência, o professor João Lucas da Silva Ramos, presidente do Conselho Regional de Psicologia, conduziu a segunda palestra da programação, com uma abordagem voltada ao papel do Conselho e às ações de cuidado relacionadas à saúde mental.
A visão de professores e alunos sobre a saúde mental
Ao refletir sobre os desafios de conciliar a rotina de estudos e trabalho com a saúde mental, o professor de Psicologia, Marcos Vinicius, pontuou que o bem-estar dos acadêmicos deve ser construído no próprio ambiente de sala de aula, por meio do acolhimento às particularidades de cada aluno e da oferta de um processo de aprendizagem mais leve. O docente destacou que, diante das pressões econômicas e sociais do cotidiano, cabe aos educadores ressignificar o espaço universitário e relembrou o diálogo contínuo mantido com a turma.
“É difícil desvincularmos isso, a complexidade do bem-estar que queremos, e vivendo em uma escala intensa de trabalho enquanto estuda ao mesmo tempo. Então tentamos na sala de aula desconstruir isso e dizer ‘Olha vocês estão aqui por bem melhor, por algo maior’, que é a graduação, se formar e aí tentar ajudar as pessoas de alguma forma”, disse o professor.
O acadêmico do 2º período de Psicologia, Douglas Martins, ressaltou a relevância de discutir a prevenção ao suicídio no ambiente universitário, especialmente ao abordar a saúde mental sob a perspectiva masculina. Para o estudante, ações como o Setembro Amarelo são fundamentais para quebrar tabus e preconceitos históricos que impedem os homens de expressarem suas emoções e buscarem ajuda.
“Achei bem interessante essa ação sobre o setembro amarelo, ainda mais para o homem, que é mais fechado devido a questões emocionais. Então essa questão é importante, pois antigamente não tinha”, relatou o estudante.
Na sequência, a acadêmica do 6º período de Psicologia, Letícia Leite, reforçou o impacto das discussões apresentadas no evento, chamando a atenção para a necessidade de dar visibilidade a temas pouco debatidos na sociedade. A estudante ressaltou a relevância de abordar a saúde mental masculina e defendeu que o diálogo e a conscientização não devem se restringir apenas ao mês de campanha, mas se estender de forma contínua no dia a dia.
“A palestra é extremamente relevante, principalmente a primeira palestrante, que abordou mais especificamente sobre o suicídio voltado para os homens. Eu acho que é uma pauta extremamente relevante, é algo que não falamos tanto. Essa pauta é extremamente relevante, que ela não seja levantada só no Setembro Amarelo e sim durante o ano inteiro”, ressaltou a estudante.
Ação consciente e contínua
Iniciativas como a realizada na instituição reafirmam que o cuidado com o bem-estar emocional e a prevenção ao suicídio necessitam de ações permanentes.
O envolvimento de diferentes áreas do conhecimento e a participação expressiva da comunidade acadêmica mostram que criar espaços seguros de fala, escuta e acolhimento é um passo indispensável para desconstruir estigmas e promover uma rede de apoio sólida e acessível a todos.
Transformar esses debates em pautas recorrentes é fundamental para garantir que o suporte emocional, o acolhimento preventivo e a valorização da vida sejam práticas diárias, tanto no ambiente universitário quanto na sociedade.