O silêncio das masculinidades: acolhimento pode ajudar a romper ciclo de sofrimento

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créditos das fotos : Dãmaris Almeida

Por: Dãmaris Almeida, Eduarda Nascimento,Fernanda Maciel,Luiz Pacheco e Matheus Dirane.

Escuta sem julgamentos e apoio de pessoas próximas podem ser importantes para homens que enfrentam sofrimento emocional

O silêncio diante do sofrimento emocional pode esconder dores que se acumulam ao longo do tempo. Para muitos homens, falar sobre tristeza, medo, angústia ou fragilidade ainda é um desafio marcado por cobranças sociais relacionadas à masculinidade. Nesse contexto, o acolhimento e a escuta podem contribuir para que o sofrimento seja reconhecido e para que a busca por ajuda aconteça antes que a situação se agrave.

A questão foi discutida durante palestra com a psicóloga Luziane Vitoriano da Costa. Segundo a profissional, a sociedade frequentemente associa a figura masculina ao papel de provedor e à necessidade de demonstrar força diante das dificuldades. Essa expectativa pode fazer com que alguns homens tenham dificuldade para expressar o que sentem e procurem esconder momentos de vulnerabilidade.

Em vez de compartilhar as próprias emoções, o homem pode acabar enfrentando o sofrimento de maneira isolada. O acúmulo desses sentimentos pode afetar a saúde mental e, em situações de maior gravidade, estar relacionado ao risco de suicídio. Dados apresentados durante a palestra apontam que 77% dos suicídios registrados no Brasil são cometidos por homens, informação atribuída ao Ministério da Saúde.

Acolher também é escutar

Diante desse cenário, o acolhimento surge como uma forma de aproximar quem sofre de uma rede de apoio. Mais do que oferecer respostas imediatas, ouvir sem julgamentos pode permitir que a pessoa se sinta segura para falar sobre aquilo que está enfrentando.

O acolhimento pode começar em situações simples do cotidiano: perguntar como alguém está, perceber mudanças de comportamento, demonstrar disponibilidade para conversar e evitar cobranças ou julgamentos. A escuta, nesses casos, não substitui o acompanhamento profissional, mas pode ser um primeiro passo para que a pessoa reconheça que não precisa lidar sozinha com o sofrimento.

Para Isabelle Batista, universitária do segundo período de Psicologia da Fametro, a palestra também levantou questionamentos sobre os caminhos disponíveis para quem precisa de ajuda. Durante o evento, ela perguntou sobre o 188, número do Centro de Valorização da Vida (CVV), e relatou já conhecer o serviço após assistir a uma série que apresentava uma pessoa com depressão tentando buscar auxílio por telefone.

Na avaliação da estudante, conversar com pessoas de confiança também pode ser importante diante de pensamentos suicidas, justamente por possibilitar que o sofrimento seja compartilhado em vez de permanecer em silêncio.

créditos das fotos : Dãmaris Almeida

o silêncio

Para além da busca por atendimento especializado, a construção de ambientes em que os homens possam falar sobre sentimentos sem serem associados à fraqueza aparece como um dos caminhos para enfrentar esse silêncio.

Nesse processo, familiares, amigos, colegas e profissionais podem exercer um papel importante ao oferecer presença e escuta. Reconhecer sinais de sofrimento e demonstrar disposição para ouvir pode ajudar a aproximar a pessoa de uma rede de apoio e, quando necessário, de serviços especializados.

A discussão apresentada na palestra reforça que falar sobre sofrimento emocional também faz parte do cuidado. Para os homens, romper com a ideia de que demonstrar vulnerabilidade é sinal de fraqueza pode abrir espaço para que sentimentos sejam compartilhados e para que a ajuda seja procurada.

Em situações de sofrimento emocional ou pensamentos suicidas, o CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia. Em situações de emergência, também é importante procurar um serviço de saúde ou acionar o atendimento de emergência.


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