O que a vivência de três pessoas idosas pode nos ensinar?
Texto: Letícia Batista
Fotos: Mydori Marcelly
O etarismo presente em nossa sociedade muitas vezes gera desvalorização dos saberes possuídos pelos idosos. Todavia, as histórias de quem já viveu décadas nos revelam o quanto o conhecimento das pessoas idosas pode nos ajudar a entender a importância do amor, a liberdade proporcionada pelos estudos e o papel do bom humor para uma vida feliz.
Essa troca de saberes se evidencia nas histórias de três idosos que frequentam o Instituto Abílio Pontes, entidade localizada no bairro Redenção, na zona Centro-Oeste de Manaus.

Nonato Reis, de 68 anos, ex-profissional da área de logística; João Inácio, de 75 anos, que atuava como corretor de seguros; e de Maria dos Remédios, de 61 anos, que dedicou seus anos de carteira assinada ao trabalho como auxiliar de serviços gerais e hoje aproveita sua aposentadoria para frequentar o instituto, se cruzam. Eles possuem trajetórias distintas, mas todos contêm vivências dignas e conselhos preciosos para a nova geração.
Juventude
As lembranças dos primeiros anos de vida variaram muito entre os entrevistados. Para Nonato Reis, o momento mais marcante de sua juventude está relacionado ao amor romântico: “Foi quando conheci minha primeira namorada”, relata, lembrando com afeto sua primeira experiência romântica.

Já para João Inácio, nascido e criado em uma fazenda, onde viveu até seus 25 anos, define essa fase como “a coisa mais linda que já me aconteceu”, evidenciando saudosismo pela vida no campo e exaltando a simplicidade.
Por outro lado, a juventude de Maria dos Remédios traz uma realidade comum na vida de diversos idosos pelo Brasil: a urgência de trabalhar para ajudar em casa e o amadurecimento precoce. “Não tenho muita lembrança porque eu quase não tive juventude, porque já cresci ajudando meus pais a trabalhar, então a minha juventude foi muito pouca”, relata ela, que trabalhou formalmente como auxiliar de serviços gerais e que hoje olha para o passado acreditando que cumpriu seu papel.
Conselhos
Quando indagados sobre uma frase para aconselhar de forma resumida um aprendizado que eles obtiveram, todos sintetizaram seus valores de forma direta e marcante.
Nonato resume sua filosofia de vida na palavra prudência. “O estresse não procura você, você procura o estresse”, pontuou após relacionar essa virtude com a cautela e a responsabilidade que temos que ter em nossa jornada pela vida.
A virtude apresentada por João Inácio foi a valorização do afeto; ele destacou que o amor é o sentimento mais importante para se ter: “Peço que as pessoas pratiquem o amor, a única coisa que edifica o ser humano”.
Já Maria dos Remédios resume a jornada de forma objetiva e inspiradora: “O meu conselho é viva a vida, apenas viva”.
Aprendizados
Quando perguntados sobre a maneira como a sociedade contemporânea vive, Nonato, João e Maria alertam sobre a necessidade da retomada de valores essenciais.
Nonato reforça a importância de se manter prudente: “Precisam aprender a ter calma, agir de forma tranquila e sempre com prudência”.
Já João Inácio novamente traz a importância de preservar as relações humanas no amor: “As pessoas precisam amar o próximo como a si mesmo. Para mim, isso é o primordial na vida humana”.




Por fim, Maria dos Remédios relembra sua juventude cercada por responsabilidades e o foco total no trabalho, trazendo um conselho importante sobre a valorização da educação: “Estudar, né? Estudar, se formar. Porque eu não tive estudo, mas hoje eu aconselho as pessoas a estudarem para ter um futuro melhor”.
Histórias como as deles nos mostram que a maturidade é construída com uma bagagem de experiências e aprendizados que adquirimos ao decorrer da vida. Salientando que para que haja um futuro melhor, é necessário estudar o passado e trazer seus aprendizados consigo.