Brechós ganham destaque como potência do empreendedorismo sustentável

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Por Bruna Pinheiro

O mundo da moda está passando por uma metamorfose. Antes, o status era o dominado por roupas novas, hoje a tendência que domina é o consumo consciente. No centro dessa mudança estão os brechós, que se transformaram em empreendedorismos modernos com identidade visual forte.

De acordo com um levantamento realizado pela Descarbonize Soluções, uma empresa especializada em energia solar e sustentabilidade, as pesquisas online por brechós ultrapassaram a marca dos 2 milhões nas buscas em 2024. Enquanto a procura por “brechós perto de mim” também cresceu 22% no mesmo período.

Do Desapego ao Negócio: A Curadoria como Diferencial

O diferencial do novo empreendedor de brechó está na curadoria. O processo vai além do simples recebimento de roupas usadas, é uma seleção criteriosa de peças de alta durabilidade ou que apresentam um estilo atemporal. Muitos empreendedores começaram no digital, através do Instagram ou plataformas como o Enjoei, e hoje estão em espaços físicos. A estratégia é clara: oferecer um preço justo, reduzindo o impacto ambiental da indústria têxtil, que é uma das mais poluentes do mundo.

Trabalhar com moda sustentável, pra mim, é muito mais do que vender roupa, é sobre propósito. O brechó nasceu num momento em que eu precisava me manter na faculdade, mas acabou virando uma extensão de quem eu sou hoje. Empreender nesse ramo tem seus desafios: exige tempo, consistência e, principalmente, paciência. Nem sempre o retorno financeiro vem rápido, porque ainda existe uma cultura muito forte do consumo do “novo”. afirma Vanessa Alcântra,  proprietária da Dulcis Brechó.

 

Apesar do crescimento, o setor exige profissionalismo. Higienização rigorosa das peças, fotografia de qualidade para as redes sociais e uma logística de entrega eficiente são os diferenciais entre um “bazar” e uma empresa de moda sustentável.

Sobre a identidade visual da loja, eu tento trazer muito de quem eu sou: algo leve, acessível e real. Eu me preocupo em mostrar as peças de forma bonita, mas sem perder a naturalidade. A criação de conteúdo também é um processo muito intuitivo. Eu penso sempre em como aquela peça pode ser usada no dia a dia, como ela pode se encaixar na vida real de quem compra. Não é só sobre estética, é sobre conexão. Disse Vanessa.

Vanessa também fala sobre os desafios de “driblar” o preconceito enraizado sobre a venda de roupas usadas.

E sobre o preconceito com roupas usadas… ele existe, mas eu enfrento isso mostrando valor. Valor no tecido, na marca, no estado da peça e, principalmente, na ideia de consumo consciente. Eu sempre reforço que roupa boa não deixa de ser boa porque já teve uma dona. Pelo contrário, muitas vezes são peças com mais qualidade do que as que a gente encontra hoje nas lojas convencionais.

 


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