Por Ana Aguiar
Antes de chegar ao consumidor final, uma peça de roupa percorre um longo caminho, desde o material com que será produzida até o marketing para a sua comercialização. O que parece apenas uma escolha estética carrega impactos ambientais, sociais e econômicos.
A indústria da moda movimenta trilhões de dólares anualmente em todo o mundo, sendo uma das mais lucrativas da economia global. Ao mesmo tempo, a indústria têxtil é responsável por cerca de 8% a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, além de consumir bilhões de litros de água por ano.
O alto consumo de recursos naturais, a emissão de carbono e o descarte inadequado de roupas colocam o setor no centro do debate sobre sustentabilidade. Em meio a esse cenário, cresce um movimento que propõe novas formas de produzir e consumir moda.
É nesse contexto que a pauta da sustentabilidade se encontra com um antigo e, ao mesmo tempo, nova forma de de consumir roupas. Entre os jovens, os brechós vêm se popularizando. O que antes era visto como uma alternativa voltada para a população de baixa renda, hoje se transforma em uma tendência “vintage” e “aesthetic” no mundo da moda.
Em Manaus, o crescimento de brechós físicos e online demonstra essa mudança de comportamento entre os consumidores. A busca por peças mais acessíveis, únicas e sustentáveis vem aumentando, impulsionada também pelas tendências nas redes sociais, como o instagram e o tiktok que geram grande influência nos consumidores. O crescimento dos brechós também é percebido por quem atua diretamente no setor. A empreendedora Siellen Barreto, proprietária do brechó e ateliê Adelocats, afirma que a procura aumentou significativamente nos últimos anos.
“Aumentou muito a procura e, junto com isso, também cresceu a quantidade de brechós. Quando comecei, há quase oito anos, existiam poucos conhecidos. Hoje, são tantos que nem consigo conhecer todos, e todos com bastante clientes”, destaca.
Segundo ela, o primeiro contato do consumidor com o brechó ainda está muito ligado ao preço.
“Acredito que o principal fator seja o custo-benefício. Muitas pessoas chegam procurando peças mais acessíveis, principalmente porque os preços do fast fashion aumentaram bastante. Mas, depois que começam a consumir, acabam permanecendo também pela questão sustentável”, explica.
A fala da empreendedora reforça a mudança no comportamento dos consumidores, que passam a enxergar o consumo de uma forma mais consciente, equilibrando economia e responsabilidade ambiental.
Para Siellen, trabalhar com esse segmento também transformou sua forma de enxergar a moda.
“Passei a perceber a moda como algo político e sustentável, tanto na forma como consumimos, ao optar por peças de segunda mão, quanto na forma como escolhemos nos vestir”, afirma.
Podemos ver que essa nova geração esta muito preocupada com o bem o estar físico e mental e isso também inclui o modo como compram, o consumo vem de uma forma mais consciente, eles não aceitam apenas o que as grandes empresas dizem, mas buscam por si próprios a conhecer e consumir produtos que fazem sentido com que acreditam.
Confira a produção da empreendedora: