Jovens Jornalistas em Cena: Perspectivas e Desafios da Profissão

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Por: Lorena Santos

Ingressar no mercado de trabalho sempre foi um dos principais objetivos dos estudantes de Jornalismo. No entanto, para muitos jovens profissionais, a conclusão da graduação tem sido acompanhada por incertezas, inseguranças e dúvidas sobre as oportunidades disponíveis na área. A transformação digital, a redução de vagas formais e a crescente exigência por múltiplas competências têm redefinido o cenário da profissão.

Segundo levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o número de empregos formais no jornalismo caiu de 60.899 postos em 2013 para 49.917 em 2023, uma redução de aproximadamente 18% em uma década.

Além disso, dados divulgados em 2026 apontam que o setor registrou mais desligamentos do que admissões ao longo de 2025, reforçando a percepção de instabilidade entre os profissionais da área.

Essa realidade é percebida pelos próprios estudantes. Uma acadêmica de Jornalismo em Manaus relata que suas expectativas para o mercado local são baixas devido à desvalorização da profissão e à escassez de oportunidades. “Em Manaus, eu vejo fortemente a desvalorização. Parece que é o dobro. Você só se destaca se trabalhar com determinadas áreas. Minhas expectativas quando se trata de Manaus são baixas, mas aumentam um pouco se eu pensar em outra cidade.” A estudante também afirma sentir insegurança em relação à empregabilidade após a graduação. “Eu me sinto insegura porque vejo colegas já formados passando por dificuldades. Infelizmente não está tendo vaga para contratar; o que mais aparece são oportunidades de estágio ou contratação como pessoa jurídica. A falta de vagas é o que mais me preocupa.”

A preocupação dos jovens encontra respaldo nos números. Um levantamento recente mostrou que o número de jornalistas contratados pelo regime CLT caiu 31% entre 2014 e 2025. O Amazonas aparece entre os estados com as maiores reduções no período, registrando queda de aproximadamente 48% no número de profissionais formalmente empregados.

Apesar dos desafios, especialistas apontam que o mercado não está desaparecendo, mas passando por uma reconfiguração. Hoje, as empresas buscam profissionais capazes de atuar em múltiplas plataformas, dominando produção de conteúdo digital, redes sociais, edição de vídeo, fotografia, análise de dados e estratégias de comunicação.

A própria Fenaj destaca que funções ligadas ao ambiente digital têm ganhado espaço nos últimos anos, demonstrando que a adaptação às novas tecnologias se tornou um diferencial competitivo.

Outro dado relevante é que o setor privado concentra cerca de 62,5% dos empregos formais para jornalistas, seguido pelo setor público e por organizações sem fins lucrativos.

Embora o cenário apresente obstáculos, muitos estudantes seguem acreditando na importância social do jornalismo e na possibilidade de construir uma carreira sólida por meio da qualificação constante e da adaptação às novas demandas do mercado.

Para a nova geração, o desafio vai além de conquistar uma vaga: é encontrar espaço em uma profissão que se reinventa diariamente, sem perder seu papel fundamental de informar a sociedade com ética, responsabilidade e compromisso com a verdade.


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